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Bolsonaro sofreu traumatismo craniano leve após queda na cela da PF em Brasília

Defesa pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes para que o ex-presidente vá para o hospital e passe por exames clínicos e de imagem.

Atualizado em 07/01/2026 às 13:01, por Nádia Juvêncio.

Michelle Bolsonaro atualiza estado de saúde de Bolsonaro nas redes sociais.

Foto: Reprodução/ND Mais.

O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE) leve, após passar mal durante a madrugada desta terça-feira (06.01), e cair dentro da cela onde está detido, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF).

O episódio veio a público após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatar, em redes sociais, que Bolsonaro (70 anos) teve uma crise de soluços enquanto dormia, perdeu o equilíbrio e bateu a cabeça em um móvel da cela, em que cumpre pena na Superintendência da PF. Ela afirmou ainda que, por se tratar de uma sala especial dentro da instituição de segurança federal, o atendimento médico ocorreu apenas no momento da visita autorizada.

Meu amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise caiu e bateu a cabeça no móvel,

disse Michelle, em uma rede social ainda pela manhã.

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A informação foi confirmada pelo médico Cláudio Birolini, responsável pelo atendimento, afirmando que o quadro inspira atenção, em razão do histórico clínico e das condições de custódia. E que os episódios de queda já haviam sido apontados como um dos principais riscos à saúde do ex-presidente durante o cumprimento da pena. O diagnóstico indica traumatismo leve, sem, até o momento, registro de complicações neurológicas mais graves.

Além de Birolini, o cardiologista Brasil Ramos Caiado também foi acionado e se deslocou até a unidade para avaliar o estado clínico do ex-presidente.


Nota divulgada pela PF

No início da tarde de 06.01.2026, a Polícia Federal (PF) divulgou uma nota na qual confirmou o atendimento médico após queda na madrugada.

Segundo a PF, o médico da Corporação constatou que houve ferimentos leves e não identificou necessidade de ida ao hospital, sendo indicada apenas observação. Em seguida, a informação foi atualizada. De acordo com a PF, um eventual encaminhamento ao hospital depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).


Traumatismo Cranioencefálico (TCE) Leve

Traumatismo cranioencefálico (TCE) leve é uma lesão cerebral temporária após um impacto na cabeça, sem danos estruturais graves, frequentemente chamada de concussão. O quadro, em geral, tem recuperação do estado mental normal em até 24 horas, mas exige atenção, pois pode evoluir.


Laudo da PF

Segundo o relatório médico enviado pela PF a Moraes, Bolsonaro relatou que caiu da cama enquanto dormia; disse ter tido tontura no dia anterior (05.01) durante o dia e soluços à noite.

Ao examinar o ex-presidente, os médicos observaram que ele estava consciente, orientado, sem sinais de déficit neurológico, com motricidade e sensibilidade de membros preservadas. Mas com uma lesão superficial na face.

Os médicos da PF comunicaram a equipe médica de Bolsonaro sobre o quadro e elencam algumas hipóteses de diagnósticos que podem ter causado a queda do ex-presidente. São elas:

  • Interação medicamentosa;
  • Crise epiléptica;
  • Adaptação ao uso de CPAP (hipoxemia);
  • Processo inflamatório pós-operatório.


Pedido da Defesa

Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal desde o fim de novembro e cumpre pena de 27 anos e três meses de reclusão, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Por volta das 14h, de 06.01, a defesa do ex-presidente acionou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, para pedir a remoção para realização de exames no hospital.

Diante da urgência e gravidade do quadro, requer seja desde logoizada a imediata remoção do Paciente o Hospital, para realização dos exames clínicos e de imagem necessários, com acompanhamento de sua equipe médica e sob escolta policial, a fim de preservar sua integridade física e evitar agravamento irreversível,

diz um trecho do pedido.

A ex-primeira-dama Michelle afirmou, via rede social, que estava a caminho do hospital DF Star, em Brasília, para a realização de exames. Em seguida, mencionou que aguardava a autorização de Moraes.

Mas, o Ministro do STF, Alexandre de Moraes negou a ida de Bolsonaro ao hospital:

Dessa maneira, não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital, conforme claramente consta na nota da Polícia Federal. A Defesa, entretanto, aconselhada pelo médico particular do custodiado, tem direito a realização de exames, desde que previamente agendados e com indicação específica e comprovada necessidade,

escreveu Moraes.

 

A defesa do ex-presidenciável insistiu no pedido para realização imediata de exames, e o Ministro pediu lista de exames para avaliar a possibilidade de realização no sistema penitenciário.

Após a decisão de Moraes, a defesa apresentou a lista de exames emitida pelo médico, Brasil Ramos Caiado; e reiterou o pedido para que os exames sejam feitos, imediatamente, em um hospital particular.

Segundo os advogados, o pedido emitido pelo médico Brasil Ramos Caiado descreve Bolsonaro com "quadro clínico compatível com traumatismo craniano, síncope noturna associada a queda, crise convulsiva a esclarecer, oscilação transitória de memória e lesão cortante em região temporal direita".

A relação de exames que o médico recomenda serem realizados com urgência:

  • Tomografia Computadorizada de Crânio;
  • Ressonância Magnética de Crânio; e
  • Eletroencefalograma.

Consoante consignado no referido documento, tais exames mostram-se essenciais para adequada avaliação neurológica do Peticionário, sendo indicada a sua realização em ambiente hospitalar especializado — no Hospital DF Star, onde o Paciente vem sendo acompanhado clinicamente —, com o objetivo de afastar risco concreto de agravamento do quadro e prevenir eventuais complicações neurológicas,

diz a defesa.

 

No início da manhã de 07.01.2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a realizar a bateria de exames médicos solicitados por seu médico, Brasil Ramos Caiado, no hospital DF Star, em Brasília, após novo pedido de sua defesa.

Na decisão, Moraes determinou que a Polícia Federal (PF) seja responsável pela escolta e segurança de Bolsonaro durante todo o processo, atuando de forma discreta. O desembarque do ex-presidente ocorreu por volta de 10h40, na garagem do hospital DF Star, para evitar exposição pública.


Antes da Queda, Bolsonaro esteve 9 dias internado

O acidente ocorre 6 dias após o ex-presidente receber alta, depois de passar por procedimentos médicos para tratar uma hérnia inguinal e um quadro de soluços.

Bolsonaro retornou à Superintendência da PF, no dia 1º de janeiro de 2026, após passar 9 dias internado para fazer uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. O procedimento foi realizado na quinta-feira (25.12.2025), dia de Natal, e não teve intercorrências.

A hérnia inguinal (também chamada hérnia na virilha), acontece quando os tecidos do interior do abdômen saem por um ponto fraco da parede muscular abdominal formando uma espécie de abaulamento no local. Quando isso ocorre dos dois lados, ela é chamada de bilateral.

Em seguida, a equipe médica avaliou a necessidade de realizar outros procedimentos para conter o quadro de soluços. Bolsonaro realizou no sábado (27.12), o bloqueio do nervo frênico do lado esquerdo. Já na segunda-feira (29.12), foi realizado o bloqueio do nervo frênico do lado direito. E, na terça-feira (30.12), segundo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, uma cirurgia de reforço.

No dia seguinte, quarta-feira (31.12), o ex-presidente passou por uma endoscopia, quando os médicos constataram a persistência de esofagite e gastrite. No mesmo dia, a defesa do ex-presidente pediu ao STF, que seu cliente cumprisse a pena em prisão domiciliar. O pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Após a virada do ano, no dia 1º de janeiro de 2026, o ex-presidente foi levado em uma viatura da Polícia Federal, do hospital para a sede regional da PF em Brasília, a 2km de distância. O trajeto durou seis minutos e o comboio entrou por uma portaria lateral.


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