/apidata/imgcache/d33f93efc508bc03828f638f58aa6488.png?banner=top&when=1768572859&who=261

O que acelerou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro

A PF afirma que o ex-presidenciável violou restrições impostas pelo STF e representava ameaça à ordem pública.

Atualizado em 04/12/2025 às 16:12, por Nádia Juvêncio.

Ex-presidente Jair Bolsonaro sendo preso em Brasília, pela Polícia Federal

O ex-presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro (38º presidente do Brasil, eleito pelo Partido Social Liberal - PSL, nas eleições de 2018, em que geriu o País de 1º de janeiro de 2019 a 1º de janeiro de 2023), preso na manhã do dia 22.11.2025, em sua residência, que fica no Jardim Botânico, em Brasília (DF), inicialmente teve prisão preventiva decretada pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, devido uma solicitação de agentes penais da Polícia Federal (PF) ao STF, em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com o pedido.

/apidata/imgcache/a3de3e44a3c1ff3821b2299628cd7d5c.jpeg?banner=postmiddle&when=1768572859&who=261

A prisão preventiva de Bolsonaro não teve relação direta com a condenação na trama golpista (em que liderou para se manter no poder, mesmo após derrota nas urnas em 2022), mas, sim, com a quebra reiterada de medidas cautelares impostas pelo STF, pois às 0h08m a tornozeleira de Bolsonaro foi violada, sinalizando risco de fuga, além de ter violado regras de monitoramento; manter contatos proibidos; e estimular movimentações políticas mesmo sob restrições. Não deixando de ressaltar que, durante o período da tarde de sábado (22.11), o senador Flávio Bolsonaro (filho do ex-presidente), convocou uma vigília na porta do condomínio do seu pai, que poderia servir para atrapalhar a fiscalização da prisão domiciliar e evitar a prisão preventiva.

Bolsonaro foi detido e levado para o Setor Policial Sul, da Superintendência da Polícia Federal - em Brasília, passou por audiência de custódia no dia seguinte (no domingo, datado em 23.11.2025), e afirmou que tentou queimar sua tornozeleira eletrônica durante a noite após ter uma “certa paranoia” de que o equipamento continha uma escuta. E ainda alegou uma combinação inadequada de medicamentos que teria causado o “surto” que o fez aplicar um ferro de solda ao dispositivo.

Após a audiência de custódia, o ex-presidenciável permaneceu preso na sala reservada para autoridades, denominada de Sala de Estado Maior (que conta com cama, mesa, frigobar, TV e banheiro privativo), localizada no Setor Policial Sul, da Superintendência da PF (no DF). Já no dia 25 de novembro do ano corrente, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro começasse a cumprir sua pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a democracia, em regime fechado, na Sala de Estado Maior, após rejeitados embargos de declaração e pedidos da defesa para que o mesmo ficasse detido em seu domicílio. Com isso, Jair Messias Bolsonaro, passou da prisão preventiva, que havia sido recentemente acatada, por unanimidade, pela Primeira Turma do STF, à prisão definitiva.
 

Breve linha do tempo que levou Bolsonaro para a prisão

Embora nossa linha do tempo retrate a partir de janeiro de 2023, ressalta-se que esta Disputa judicial teve início há mais de 05 (cinco) anos (em 2020), quando o ex-presidente passou a alegar fraude no sistema eleitoral brasileiro.

  • Ataque à Praça dos Três Poderes: em 08 de janeiro de 2023

Cerca de 4 mil golpistas que estavam acampados em frente ao quartel-general do Exército do Brasil, localizado na avenida do Exército, Setor Militar Urbano, em Brasília (DF), migraram rumo à Praça dos Três Poderes, em Brasília. A multidão avançou sobre as dependências do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto e provocaram uma destruição generalizada. O STF responsabilizou quase 900 (novecentas) pessoas pelos atos, 225 (duzentas e vinte e cinco) com ações classificadas como graves.

  • Bolsonaro foi declarado inelegível até 2030: em 30 de junho de 2023

O inquérito que apurou tentativa de golpe de Estado por parte de manifestantes e autoridades foi instaurado no mês de setembro de 2022 e a Corte passou a investigar o papel que autoridades tiveram ao inflamar seus apoiadores a rejeitarem o resultado eleitoral. Em Brasília, no dia 30 de junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a inelegibilidade de Jair Bolsonaro até o ano de 2030, por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação, ao reunir embaixadores para atacar o processo eleitoral com mentiras sobre as urnas eletrônicas.

  • Passaporte de Bolsonaro foi apreendido pelo STF, após determinação de medida cautelar: em 08 de fevereiro de 2024

A Polícia Federal deflagra a Operação Tempus Veritatis, após achados em operações anteriores e a delação do tenente-coronel da ativa do Exército Brasileiro, Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), como parte de investigação sobre uma suposta organização criminosa que teria atuado no planejamento de uma tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro foi um dos alvos, tendo sido proibido de deixar o País e de entrar em contato com outros alvos da mesma operação. O ministro Alexandre de Moraes, também determinou que, no início da tarde de 08 de fevereiro de 2024, fosse realizada a apreensão do passaporte do ex-presidente (documento que estava guardado no escritório que o ex-mandatário mantém na sede do Partido PL, em Brasília (DF), segundo informação confirmada por Paulo Bueno, advogado de Bolsonaro), e de outras 19 (dezenove) pessoas ligada a ele.

  • Bolsonaro se torna réu: em 26 de março de 2025

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou o ex-presidente Bolsonaro e outros 7 (sete) sete aliados, réus pelos crimes de tentativa de abolição do Estado democrático de direito e golpe de Estado. A denúncia, apresentada no mês anterior (fevereiro de 2025), pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, também os acusa de integrar uma organização criminosa armada; dano qualificado pelo emprego de violência; grave ameaça contra o patrimônio público; e deterioração de patrimônio tombado. Somadas, as penas podem passar de 40 anos de cadeia.

  • Imposição de medidas cautelares: em julho e agosto de 2025

O STF determinou medidas cautelares contra Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. As ordens foram motivadas pela possibilidade de o ex-presidente fugir do País e pedir asilo ao governo dos Estados Unidos. Além de passar a ser considerado pelo STF, suspeito de obstrução da Justiça, por tentar dificultar seu julgamento por meio da pressão imposta pela Casa Branca. O réu também ficou proibido de utilizar as redes sociais, mas violou a proibição, divulgando em perfis dos seus aliados, mensagens durante ato de apoiadores, o que levou ao ministro Alexandre de Moraes, determinar sua prisão domiciliar em 04 de agosto de 2025, ou seja, o proibindo de ausentar-se da Comarca com uso de tornozeleira eletrônica, bem como seu recolhimento domiciliar no período noturno, a partir das 19h até às 6h, de segundas às sextas-feiras; e integral nos fins de semana, feriados e dias de folga.

  • Bolsonaro condenado pela Primeira Turma do STF por 5 crimes na trama golpista: em 11 de setembro de 2025

O STF condenou o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, a 27 anos e 3 meses de prisão por: golpe de Estado; organização criminosa armada; abolição violenta do Estado Democrático de Direito; dano qualificado por violência; grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Desses 27 anos e 3 meses: - 24 anos e 9 meses serão de reclusão (ou seja, pena para crimes que preveem regime fechado); - e os 2 anos e 6 meses seriam de detenção (pena para crimes de regime semiaberto ou aberto).

Foram 4 (quatro) ministros, da Primeira Turma do STF (Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin), que votaram pela condenação, por entenderem que Bolsonaro foi responsável não apenas, por instilar seus apoiadores a rejeitarem o resultado das urnas, mas também por liderar um plano orquestrado para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades, propagar desinformação sobre o sistema eleitoral, instituir uma intervenção militar e se manter no poder após sua derrota na eleição presidencial de 2022.

  • Bolsonaro é preso, preventivamente, e levado à Superintendência da PF, em Brasília (DF): em 22 de Novembro de 2025

Após uma tentativa de Bolsonaro em violar sua tornozeleira eletrônica e o seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, convocar uma vigília próxima ao condomínio do seu genitor, o ministro Alexandre de Moraes viu risco de fuga do ex-presidensiável e, por meio de uma liminar, decretou sua prisão preventiva.

  • Jair Bolsonaro passa por audiência de custódia: em 23 de novembro de 2025

Em sua audiência de custódia, Bolsonaro afirmou que tentou queimar sua tornozeleira eletrônica durante a noite, após ter uma “certa paranoia” de que o equipamento continha uma escuta. Também alegou que uma combinação inadequada de medicamentos teria causado o “surto” que o fez aplicar um ferro de solda ao dispositivo.

  • O ministro Alexandre de Moraes determina que Bolsonaro comece a cumprir pena, em regime fechado, na Superintendência da PF, em Brasília (DF): em 25 de novembro de 2025

Após rejeitados embargos de declaração e pedidos da defesa para que Bolsonaro fique detido em seu domicílio, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o ex-presidente iria cumprir, em regime fechado, sua pena de 27 anos e três meses de prisão, por crimes contra a democracia.